Expressão latina utilizada no âmbito médico para descrever um quadro agudo de alteração mental acompanhado de tremores intensos, geralmente associado à síndrome de abstinência alcoólica. O primeiro componente, delirium, procede do verbo latino delirāre, formado pelo prefixo de-, que indica separação ou desvio, e līra, ‘sulco’ da terra arada. Literalmente, delirāre significava ‘sair do sulco’, metáfora agrícola que passou a expressar a ideia de afastar-se da linha correta do pensamento. A raiz indo-europeia vinculada a līra associa-se a *lei-, ‘sulco’ ou ‘marca’, reforçando a noção de trajeto reto que, ao ser perdido, conduz ao desvario.
Por sua vez, tremens é o particípio presente do verbo tremĕre, ‘tremer’, com raiz no indo-europeu *trem-, de igual valor onomatopaico, que imita a vibração física. Assim, a expressão completa pode ser interpretada como ‘delírio trêmulo’ ou ‘desvario com tremores’.
O termo delirium tremens documenta-se na literatura médica anglo-saxônica no início do século XIX, particularmente em 1813, quando o médico britânico Thomas Sutton o emprega para descrever esse estado clínico específico. Desde então, consolidou-se como tecnicismo psiquiátrico, mantendo sua formulação latina em numerosos idiomas, inclusive no português, onde convive com a forma adaptada ‘delírio tremens’.
Do ponto de vista semântico, a expressão combina de maneira precisa o sintoma psíquico —confusão, alucinações, desorientação— com a manifestação física —tremores severos—, sintetizando em duas palavras o núcleo do quadro clínico. De delirium derivam delírio (delirium) e delirar (delirāre), enquanto de tremĕre procedem tremor (tremor, -ōris) e tremendo (tremendus, ‘que deve ser temido’).