Documentado no latim phantasma, phantasmătis, a respeito do grego phántasma (φάντασμα), genitivo phantásmatos (φαντάσματος), interpretando-se como ‘aparição’, ‘imagem’ ou ‘visão’, procedente do verbo phantázein (φαντάζειν), por ‘tornar visível’ ou ‘mostrar’, forma derivada de phaínein (φαίνειν), remetendo a ‘brilhar’, ‘aparecer’ ou ‘manifestar-se’, com raiz no indo-europeu *bhā-, por ‘brilhar’ ou ‘resplandecer’; complementando-se pelo sufixo -ma (-μα), em função do resultado de uma ação, configurando assim aquilo que se manifesta perante os sentidos sem que necessariamente possua substância material.
A distinção entre phántasma e phantasía (φαντασία) é fundamental para compreender a arquitetura semântica dessa família: enquanto a phantasía designa a faculdade interna de representação, a capacidade da alma para produzir imagens, o phántasma se posiciona como o produto concreto dessa faculdade, a imagem que emerge, seja provocada por um estímulo externo ou engendrada pela própria mente. Aristóteles desenvolve essa diferenciação em seu tratado De Anima, onde o phántasma ocupa um lugar central na teoria do conhecimento, operando como intermediário entre a percepção sensorial e o pensamento abstrato, de modo que não é possível pensar sem phantásmata.
A nível documental, o termo se instala no vocabulário filosófico grego a partir do século IV a.C., mas sua transformação semântica mais profunda se produz com a tradição judaico-cristã, onde o phántasma se desloca da especulação filosófica para o terreno do sobrenatural. No Evangelho de Mateus, capítulo 14, versículo 26, os discípulos, ao verem Jesus caminhar sobre as águas, exclamam que se trata de um phántasma, consolidando a associação com uma entidade espectral que infunde temor. Essa carga se aprofunda durante a Idade Média, quando a teologia e a superstição popular fundem a noção do fantasma com as almas penadas, os aparecidos que retornam do além para reclamar justiça, cumprir penitência ou advertir os vivos.
Em sua evolução rumo às línguas românicas, o latim phantasma se adapta ao espanhol como fantasma, ao italiano fantasma, ao francês fantôme e ao português fantasma, enquanto o inglês recolhe a variante francesa em phantom e conserva paralelamente ghost, de raiz germânica.
Entre os termos vinculantes a partir da raiz indo-europeia *bhā- e do grego phaínein, destacam-se fantasia (observada no grego phantasía, compreendendo a capacidade de representar imagens mentais, conjugada pelo sufixo -ía, em propriedade de qualidade ou faculdade), fantástico (dado no latim tardio phantastĭcus, sobre o grego phantastikós, assinalando aquilo pertencente à imaginação, com o sufixo -ikós, como agente de relação), epifania (pautada no grego epipháneia, formulada pelo prefixo epí-, por ‘sobre’ ou ‘em cima’, e phaínein, configurando uma manifestação que irrompe desde o alto), fenômeno (visível no grego phainómenon, como particípio de phaínein, designando aquilo que aparece ou se mostra perante a percepção), diáfano (declarado no grego diaphanḗs, combinando o prefixo diá-, por ‘através de’, e phaínein, compreendendo aquilo que deixa passar a luz) e teofania (no grego theophanía, conjugando theós, por ‘deus’, e phaínein, designando a manifestação visível da divindade).