Reconhecido no latim como castellum, configurando-se como diminutivo de castrum, que identificava um recinto fortificado ou acampamento militar, com raiz no indo-europeu *kat-, ao qual se atribui a ideia de trançar ou entrelaçar, compreendendo-se no sentido das técnicas primitivas de entramado que davam forma às primeiras paliçadas defensivas; acompanha o sufixo -ellum, em função diminutiva, que em sua passagem pelo latim vulgar se transforma em -ello e eventualmente no português -elo.
A forma castrum constitui uma das vozes mais determinantes da engenharia militar romana, assinalando tanto os acampamentos temporários levantados durante as campanhas quanto as estruturas permanentes que se erigiam nos territórios conquistados, respondendo a um desenho estandardizado que contemplava muralhas, fossos, torres de vigilância e portas cardeais. A precisão desse planejamento haveria de semear o germe de inumeráveis assentamentos urbanos que perduram até o presente, observando-se na toponímia europeia com notável frequência, tal é o caso de Lancaster, Manchester ou Doncaster na Inglaterra, onde o componente -caster ou -chester delata a presença do antigo castrum romano.
Na península ibérica, o castellum adquire uma dimensão singular durante os séculos da Reconquista, período em que a linha fronteiriça entre os reinos cristãos e o domínio muçulmano se definia precisamente por uma cadeia de fortalezas, configurando a paisagem política e territorial do que haveria de denominar-se Castela, documentando-se por volta do século IX como Castella, entendendo-se como a terra dos castelos, e forjando o gentílico castellānus, que não somente identifica o habitante da região, mas se projeta como denominação do idioma que ali se consolida. O próprio Portugal guarda a marca no escudo nacional, onde os sete castelos dourados evocam as fortalezas tomadas aos mouros, um emblema que atravessou o Atlântico estampado nas bandeiras da colônia.
Por sua parte, o árabe recolhe o conceito latino através da forma al-qaṣr, procedendo de castrum, que ingressa ao português como alcácer, ilustrando o fenômeno inverso pelo qual uma voz latina retorna transformada pelo filtro linguístico árabe, enriquecendo-se com o artigo definido al-, e deixando rastro trágico na memória lusitana pela batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, onde desapareceu o rei Dom Sebastião, alimentando o mito sebastianista que ecoaria séculos depois no sertão brasileiro de Canudos.
No Brasil, terra sem idade média, o castelo propriamente dito nunca se ergueu, e a defesa colonial se materializou na rede de fortes e fortalezas do litoral, como os Reis Magos em Natal ou São Marcelo em Salvador. Não obstante, a palavra fincou raízes na toponímia e no imaginário: o Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, berço da cidade fundada em 1567, batizado pela fortificação e pelo casario que coroavam sua altura, protagonizou um dos episódios urbanos mais marcantes do século XX ao ser inteiramente desmontado em 1922, em nome da modernização, levando consigo os vestígios do núcleo original carioca. Já no século XX, excêntricos e nostálgicos ergueram castelos tardios, apreciando-se o Castelo da Ilha Fiscal, joia neogótica da baía de Guanabara, palco do último baile do Império em 1889, dias antes da Proclamação da República, consagrando no idioma a expressão o baile da Ilha Fiscal como símbolo de esplendor à beira do colapso, um castelo, afinal, construído na areia.
O francês antigo adota a forma castel, que se transforma em château, enquanto o italiano conserva castello e o espanhol registra castillo. No inglês, aprecia-se castle, ingressando por via do francês normando por volta do século XI, após a conquista de Guilherme.
Entre as associações observamos castro (conservando diretamente o latim castrum), que na toponímia hispânica e no norte de Portugal identifica assentamentos de origem pré-romana e romana, castrense (dado no latim castrensis), a respeito do pertencente ao âmbito militar, castelhano (sobre o latim castellānus), que transcende sua função gentílica para denominar uma língua, alcácer (pelo árabe al-qaṣr, sobre castrum), e castrar (observado no latim castrāre), cujo vínculo etimológico responde a uma raiz paralela associada à noção de cortar ou separar, sobre o indo-europeu *kes-, diferenciando-se do tronco principal embora coexistindo no imaginário fonético do falante.