Etimologia de Depressão

Localiza-se no latim como depressio, sobre a ideia de uma forma afundada como consequência natural ou por uma força exercida. A desconstrução dos elementos identifica o prefixo de-, que se refere a um condicionamento indicando uma relação descendente, tendo raiz no indo-europeu *de-, e pressio, que marca a palavra pressão, associada a seu verbo como premere, com uma raiz indo-europeia em *per-.

Quando pensamos no espaço geológico podemos perceber sua dimensão mutante. Assim, há montanhas, planícies, colinas, falésias, vales e todo tipo de acidentes. Em outras palavras, no relevo há estruturas ascendentes e descendentes. Em sua origem mais remota, este termo era usado para descrever a dimensão mutante da Terra. Com o passar do tempo, a ideia de afundamento terrestre foi projetada para outras áreas, como o declínio emocional do indivíduo e da economia.

O termo depressão entendido como transtorno psíquico começou a ser utilizado no século XIX nos primeiros tratados da psiquiatria

Durante séculos, melancolia foi a palavra usada para referir a uma tristeza profunda. Assim, nos tratados médicos de Hipócrates, no século V a. C, afirmava-se que o temperamento do indivíduo dependia da combinação de quatro líquidos ou humores: bílis amarela, bílis negra, sangue e fleuma.

Quando a bílis negra é excessiva produz um estado de melancolia. Sobre esta questão, podemos destacar duas ideias fundamentais: que a melancolia era considerada uma doença e, por outro lado, que o medo e a tristeza profunda associada à melancolia nasceram no corpo, mas afetaram a alma.

Três séculos depois o médico romano Celso propôs uma série de recomendações para tratar a melancolia: incentivar a distração com leitura e jogos, realizar uma atividade moderada ao ar livre e consumir ervas medicinais para reequilibrar o excesso de bílis negra.

Os avanços na histologia do cérebro no final do século XIX e início do século XX foram determinantes para a consolidação da psiquiatria como disciplina médica. Para a psiquiatria atual a depressão tem duas dimensões possíveis: uma exógena e outra endógena (no primeiro caso, as circunstâncias externas do indivíduo são aquelas que desencadeiam o estado depressivo e no segundo a origem da depressão está relacionada a fatores hereditários ou alterações fisiológicas).

Um transtorno que condiciona o papel vital do indivíduo

Quando o sentimento de tristeza permanece estável no tempo aparece uma emoção mais profunda, a depressão. Trata-se de uma doença mental onde a pessoa afetada não experimenta a sensação de prazer e, ao mesmo tempo, há uma clara intolerância em relação a qualquer problema cotidiano.

O estado depressivo afeta o indivíduo em seu conjunto, uma vez que dificulta sua comunicação com os demais e afeta o controle intelectual e emocional de sua vida. Como consequência disso, há uma série de respostas vitais negativas: sentimento de culpa, problemas de concentração, sentimento de frustração, irritabilidade, ideias destrutivas e perda de confiança.

    : Fernando Cortés

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