Aquário (astrologia)

Início Zodíaco – Registrado no latim como aquārius, apontando ao portador de água ou aguadeiro, de aqua, por ‘água’, com raiz no indo-europeu *h₂ekʷ-ā, ao qual se atribui diretamente o sentido do elemento líquido essencial para a vida; acompanha o sufixo -ārius, em função de agente ou ofício, configurando a ideia de quem se ocupa da água. O grego denomina a constelação Hydrokhóos (Ὑδροχόος), composto por hýdōr (ὕδωρ), por ‘água’, e khéein (χέειν), por ‘verter’, mantendo a imagem do derramador de água.

A constelação de Aquário se identifica com várias figuras mitológicas, sendo a mais difundida a de Ganimedes (Γανυμήδης), o príncipe troiano de extraordinária beleza, filho do rei Trós, que Zeus rapta transformando-se em águia (ou enviando uma águia, segundo a variante) para convertê-lo no copeiro dos deuses no Olimpo, substituindo Hebe na função de servir o néctar e a ambrosia. A constelação da Águia (Aquila), localizada nas proximidades de Aquário, representaria a ave que executa o rapto, conectando ambas as figuras celestes em um mesmo episódio mitológico. O nome Ganimedes se decompõe nos elementos gregos gány- (γάνυ-), por ‘brilho’ ou ‘alegria’, e mḗdea (μήδεα), por ‘planos’ ou ‘desígnios’, interpretando-se como ‘aquele que se regozija em seus pensamentos’ ou ‘o de desígnios brilhantes’.

Uma tradição alternativa vincula Aquário a Deucalião, o Noé grego, que junto à esposa Pirra sobrevive ao dilúvio universal enviado por Zeus para castigar a impiedade da humanidade, navegando em uma arca durante nove dias até que as águas descem e o mundo renasce. A figura do homem que verte água desde o céu evocaria assim a torrente divina que purifica e renova a terra, conectando Aquário aos mitos de inundação universais que atravessam praticamente todas as culturas antigas.

A importância de Aquário na astronomia babilônica se vincula à estação das chuvas na Mesopotâmia, período durante o qual o Sol transitava por esta constelação, o que explica que várias constelações vizinhas pertençam igualmente ao âmbito aquático: Peixes (os peixes), Cetus (a baleia), Eridanus (o rio) e Capricórnio (com sua cauda de peixe), configurando uma região do céu que os astrônomos antigos denominavam o Mar.

O período atribuído a Aquário compreende de 20 de janeiro a 18 de fevereiro, coincidindo com a profundidade do inverno no hemisfério norte e as chuvas sazonais em numerosas latitudes, uma correspondência que a tradição astrológica projeta sobre o temperamento do signo, atribuindo-lhe qualidades de originalidade, independência intelectual, humanitarismo, visão de futuro e inconformismo, assim como uma tendência ao distanciamento emocional e à excentricidade. A denominada Era de Aquário, conceito popularizado na década de 1960 pelo movimento contracultural e pelo musical Hair, faz referência ao período astrológico de aproximadamente 2.160 anos durante o qual o ponto vernal transitará por esta constelação devido à precessão dos equinócios, sucedendo a atual Era de Peixes.

Associações de raiz: aqua, água (conservando a forma latina com evolução romance), aquático (dado no latim aquatĭcus), aqueduto (conjugando aqua e ductus, por condução, apontando à infraestrutura que transporta a água), aquarela (sobre o italiano acquerella, diminutivo de acqua, descrevendo a técnica pictórica baseada em pigmentos diluídos em água) e aquário (em sua acepção de recinto para a exibição de fauna aquática, compartilhando a mesma raiz do signo zodiacal). Pela via do grego hýdōr, identificam-se hidráulico (conjugando hýdōr e aulós, por tubo), hidrogênio (formado por hýdōr e -genḗs, por ‘que gera água’) e desidratar (com o prefixo des- e a raiz hýdōr, por privar de água).

Zodíaco
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