Zodíaco

Localiza-se no latim como zodiăcus, a respeito do grego zōidiakós (ζῳδιακός), configurando-se como adjetivo que qualifica o kýklos (κύκλος), por ‘círculo’, compreendendo-se como o círculo das pequenas figuras animais representadas nas constelações, procedendo de zṓidion (ζῴδιον), diminutivo de zôion (ζῷον), que remete a ‘animal’ ou ‘ser vivo’, com raiz no indo-europeu *gʷeyh₃-, ao qual se atribuem os sentidos de viver ou existir; acompanha o sufixo -akós (-ακός), em função de relação ou pertencimento, que o latim adapta como -ăcus.

A fórmula aristotélica expressa ho zōophóros kýklos (ὁ ζωοϕόρος κύκλος), o círculo portador de animais, onde zōophóros conjuga zôion e phérein (ϕέρειν), por ‘levar’ ou ‘portar’, descrevendo a faixa celeste que transporta as figuras animais ao longo de seu percurso. Aristóteles emprega a fórmula no contexto de sua cosmologia, embora a observação sistemática dessa banda do céu anteceda por milênios a filosofia grega, afundando-se nas práticas astronômicas da Mesopotâmia, onde os sacerdotes-astrônomos babilônicos catalogaram as constelações eclípticas em tabuinhas cuneiformes que datam do segundo milênio antes de Cristo. O documento conhecido como MUL.APIN, compilado por volta do século XII a.C., mas baseado em observações consideravelmente mais antigas, registra já um cinturão de constelações que prefigura o zodíaco greco-romano, identificando-se formas que haveriam de sobreviver à transliteração cultural: o Touro Celeste, os Grandes Gêmeos, o Caranguejo, o Leão e o Escorpião aparecem com denominações que os gregos adotariam e adaptariam séculos mais tarde.

O zodíaco se define astronomicamente como a faixa da esfera celeste que se estende aproximadamente oito graus a cada lado da eclíptica, isto é, do plano aparente que o Sol descreve em sua trajetória anual vista desde a Terra. Dentro dessa faixa se deslocam igualmente a Lua e os planetas visíveis a olho nu, razão pela qual os antigos percebiam esse cinturão como o cenário onde se desenvolvia o drama cósmico que determinava os destinos humanos. A divisão dessa faixa em doze segmentos iguais de trinta graus cada um responde a uma convenção babilônica do século V a.C. que o mundo grego herda e sistematiza, atribuindo a cada segmento a constelação que naquele momento ocupava esse setor do céu.

A denominação dos doze signos que se instala nas línguas ocidentais responde ao latim, configurando-se como traduções ou adaptações diretas das formas gregas, que tomam tradições mesopotâmicas, egípcias e, em alguns casos, pré-indo-europeias. Os signos se ordenam a partir do ponto vernal, a posição do Sol durante o equinócio de primavera boreal, que na época da sistematização grega coincidia com a constelação de Áries, consagrando o carneiro como inaugurador do ciclo. Desse modo, apreciam-se:

Áries (sobre o latim ariēs, por ‘carneiro’)
Touro (dado no latim taurus, por ‘touro’)
Gêmeos (no latim gemĭni, por ‘gêmeos’)
Câncer (observável no latim cancer, por ‘caranguejo’)
Leão (pautado pelo latim leō, por ‘leão’)
Virgem (conservando o latim virgo, por ‘donzela’)
Libra (sobre o latim lībra, por ‘balança’)
Escorpião (dado no latim scorpio, por ‘escorpião’)
Sagitário (no latim sagittārius, por ‘arqueiro’)
Capricórnio (visível no latim Capricornus, conjugando caper, por ‘cabra’, e cornū, por ‘chifre’)
Aquário (procedendo do latim aquārius, por ‘portador de água’)
Peixes (no latim piscēs, por ‘peixes’).

A observação de que Libra constitui o único signo representado por um objeto inanimado, quebrando a lógica do círculo de animais que a própria etimologia proclama, explica-se por sua incorporação tardia: as estrelas de Libra formavam originalmente as pinças de Escorpião na tradição grega, e foram os romanos que as separaram para configurar uma constelação independente associada ao equinócio de outono e a seu simbolismo de equilíbrio, sacrificando a coerência zoológica do sistema em favor de uma simetria calendárica.

Do mesmo modo, Virgem, Gêmeos, Sagitário e Aquário representam figuras humanas ou híbridas, não animais, o que revela que a denominação zodíaco descreve a origem conceitual do sistema mais que seu conteúdo literal, funcionando como uma sinédoque em que a parte animal nomeia o todo figurativo.

A distinção entre o zodíaco tropical e o zodíaco sideral constitui uma das divergências mais significativas na história da astronomia e da astrologia. O zodíaco tropical, empregado na tradição astrológica ocidental, fixa os signos ao ciclo das estações, de modo que Áries começa sempre no equinócio de primavera boreal, independentemente da posição real das constelações. O zodíaco sideral, utilizado na tradição jyotish da Índia, atende à localização astronômica efetiva das estrelas. A discrepância entre ambos os sistemas, causada pela precessão dos equinócios, um deslocamento lento do eixo terrestre que completa um ciclo a cada 25.776 anos aproximadamente, alcança na atualidade cerca de vinte e quatro graus, o que significa que o signo tropical e a constelação real estão defasados em quase um signo completo. Esse fenômeno, descoberto por Hiparco de Niceia por volta de 130 a.C., é igualmente responsável pela noção das eras astrológicas, períodos de aproximadamente 2.160 anos que se definem pela constelação que abriga o ponto vernal em cada época: a Era de Áries teria coincidido com as civilizações que veneravam o carneiro, a Era de Peixes com o surgimento do cristianismo e sua simbologia do peixe, e a Era de Aquário, cujo início é discutido, projeta as aspirações de renovação e consciência coletiva que a cultura contemporânea lhe atribui.

O francês registra a forma zodiaque, o italiano conserva zodiaco, o espanhol adota zodíaco (alternando com zodiaco, sem acento) e o inglês zodiac, mantendo em todos os casos a fidelidade ao étimo greco-latino.

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