Início Zodíaco – Sobre a forma do latim Capricornus, configurando-se como uma composição dada por caper, capri, apontando ao bode, com raiz no indo-europeu *kapro-, ao qual se atribui o sentido do animal caprino, e cornū, por ‘chifre’, sobre a base do indo-europeu *ḱer-, remetendo à parte superior da cabeça ou às protuberâncias que dela emergem, configurando a imagem literal da cabra com chifres, uma denominação que traduz ao latim a forma grega Aigókerōs (Αἰγόκερως), composta por aíx (αἴξ), por ‘cabra’, e kéras (κέρας), por ‘chifre’.
A constelação de Capricórnio se identifica com uma criatura híbrida de cabeça e torso caprino e cauda de peixe, uma figura que afunda suas raízes na mitologia mesopotâmica, onde aparece como Suḫurmāšu, a cabra-peixe, um dos símbolos mais antigos do zodíaco babilônico, documentado em tabuinhas cuneiformes que antecedem em vários séculos a sistematização grega.
A tradição grega oferece múltiplas identificações para esta constelação. A mais difundida a vincula a Pã (Πάν), o deus dos pastores, dos rebanhos e da natureza selvagem, representado com chifres, patas e barba de bode. Segundo Ovídio, durante o ataque do monstro Tifão contra os deuses olímpicos, Pã se lança ao rio Nilo para escapar, transformando-se apressadamente em um ser cuja metade superior conserva a forma de cabra enquanto a inferior adota a de um peixe, uma metamorfose incompleta que Zeus imortaliza no céu. Uma tradição alternativa a identifica com Amalteia, a cabra que amamentou o próprio Zeus quando este foi ocultado em uma caverna de Creta para protegê-lo de seu pai Cronos, que devorava os filhos ao nascer. Em agradecimento, Zeus a teria colocado entre as estrelas, e um de seus chifres, ao se romper, transformou-se na Cornucópia (do latim cornū cōpiae, por chifre da abundância), o recipiente inesgotável de frutos e riquezas.
A constelação abriga o ponto do solstício de inverno na antiguidade, razão pela qual o paralelo terrestre situado a 23,5 graus de latitude sul recebe o nome de Trópico de Capricórnio, denominação que sobrevive apesar de a precessão dos equinócios ter deslocado o solstício rumo a Sagitário.
O período atribuído a Capricórnio compreende de 22 de dezembro a 19 de janeiro, coincidindo com o solstício de inverno e as semanas mais frias e escuras do ano no hemisfério norte, uma correspondência que a tradição astrológica projeta sobre o temperamento do signo, atribuindo-lhe qualidades de disciplina, ambição, responsabilidade, pragmatismo e resistência, assim como uma tendência à rigidez, ao pessimismo e à dificuldade de expressar as emoções, replicando a imagem da cabra montesa que ascende lentamente por terrenos escarpados com uma determinação que não admite atalhos.
Associações de raiz: caper, cabra (procedendo do latim capra, feminino de caper), caprino (como adjetivo que descreve o pertencente à cabra), Capricórnio (conservando a composição latina intacta) e capricho (dado no italiano capriccio, cuja etimologia se associa a capo, por cabeça, e riccio, por eriçado, evocando o calafrio do cabelo arrepiado, embora a contaminação semântica com capra tenha forjado a associação popular com o comportamento voluntarioso das cabras). Pela via de cornū, identificam-se corno (conservando a forma latina com evolução romance), cornucópia (conjugando cornū e cōpia, por abundância), corneta (sobre o diminutivo *cornetta, designando o instrumento de sopro) e unicórnio (formado por ūnus, por um, e cornū, apontando ao animal mitológico de um só chifre).
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