Sagitário (astrologia)

Início Zodíaco – No latim como sagittārius, apontando ao arqueiro ou flecheiro, procedendo de sagitta, por ‘flecha’, cuja etimologia profunda é discutida sem uma raiz indo-europeia consensuada, embora se tenha proposto tentativamente uma conexão com *sag-, associada à ideia de buscar ou rastrear, o que vincularia a flecha ao ato de seguir a presa; acompanha o sufixo -ārius, em função de agente ou ofício, configurando a ideia de quem se dedica ao manejo da flecha.

A constelação de Sagitário se identifica com a figura do centauro, a criatura metade homem, metade cavalo do imaginário grego, embora sua identificação precisa se bifurque entre duas tradições. A mais difundida o associa a Quíron (Χείρων), o mais sábio e justo dos centauros, filho de Cronos e da ninfa Fílira, cuja concepção adquiriu forma equina porque Cronos se transformou em cavalo para consumar a união sem ser descoberto por sua esposa Reia. Diferentemente dos demais centauros, caracterizados por sua natureza selvagem e indômita, Quíron se distinguia por sua sabedoria e seu domínio da medicina, da música, da caça e da profecia, servindo como tutor dos heróis mais célebres da mitologia: Aquiles, Jasão, Asclépio e Héracles, entre outros.

A morte de Quíron constitui um dos paradoxos mais dolorosos do ciclo mitológico. Durante uma visita de Héracles ao centauro Folo, estala uma disputa com os centauros selvagens, e uma das flechas envenenadas de Héracles, impregnada com o sangue da Hidra de Lerna, atinge acidentalmente Quíron no joelho. O veneno, incurável inclusive para o mestre da medicina, provoca-lhe um sofrimento insuportável que sua imortalidade o impede de resolver mediante a morte. Quíron suplica a Zeus que lhe permita ceder sua imortalidade, e o deus concede, colocando-o entre as estrelas como a constelação de Sagitário, onde o centauro aponta eternamente seu arco rumo a Escorpião, o escorpião que matou Órion.

Não obstante, uma tradição alternativa distingue Sagitário de Quíron, atribuindo a este último a constelação vizinha de Centaurus e reservando Sagitário para Croto, filho de Pã e da ama das Musas, Eufeme, um sátiro afeito à caça e às artes que as Musas solicitaram a Zeus imortalizar no céu.

A constelação de Sagitário reveste uma importância astronômica excepcional por apontar a direção do centro da Via Láctea, onde se localiza o buraco negro supermassivo Sagitário A*, um objeto cuja massa equivale a aproximadamente quatro milhões de sóis, descoberto mediante observações radioastronômicas em 1974.

O período atribuído a Sagitário compreende de 22 de novembro a 21 de dezembro, coincidindo com o final do outono e a aproximação do solstício de inverno no hemisfério norte, uma correspondência que a tradição astrológica projeta sobre o temperamento do signo, atribuindo-lhe qualidades de otimismo, gosto pela aventura, independência, franqueza e vocação filosófica, assim como uma tendência à imprudência verbal e à dificuldade de assumir compromissos.

Associações de raiz: seta (procedendo do latim sagitta com evolução fonética romance, apontando tanto à flecha quanto ao ponteiro do relógio), Sagitta (denominação de uma constelação menor que representa a flecha isolada, sem o arqueiro), sagital (como adjetivo que descreve, na anatomia, o plano que divide o corpo em metades esquerda e direita, evocando a trajetória reta da flecha) e Sagittaria (na botânica, designando uma planta aquática cujas folhas reproduzem a forma de uma ponta de flecha).

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