Peixes (astrologia)

Início Zodíaco – No latim como piscēs, forma plural de piscis, apontando aos peixes, com raiz no indo-europeu *peisk-, ao qual se atribui diretamente o sentido do animal aquático, uma forma que se projeta com clareza nas línguas germânicas através do gótico fisks e do inglês antigo fisc, que haveria de evoluir ao inglês moderno fish, expondo uma correspondência fonética que ilustra a lei de Grimm sobre o deslocamento consonantal entre os ramos itálico e germânico do indo-europeu: o p- latino se transforma no f- germânico.

A constelação de Peixes se identifica na mitologia grega com a transformação de Afrodite e seu filho Eros em peixes para escapar do monstro Tifão, a criatura descomunal de cem cabeças de serpente que ataca o Olimpo em uma das ameaças mais graves que os deuses enfrentam. Segundo a tradição recolhida por Higino, mãe e filho se lançam ao rio Eufrates e assumem forma pisciforme, atando as caudas com uma corda para não se separarem na correnteza. Zeus imortaliza a cena no céu, onde a constelação mostra dois peixes unidos por uma linha, orientados em direções perpendiculares. Essa versão vincula Peixes à constelação vizinha de Piscis Austrinus (o Peixe Austral), que representaria o peixe pai que os guia à salvação, e cuja estrela principal, Fomalhaut, procede do árabe fam al-ḥūt (فم الحوت), interpretando-se como ‘boca do peixe’.

Uma tradição alternativa de raiz síria identifica os peixes com as divindades Atargatis e seu filho Ichthys, figuras vinculadas aos cultos aquáticos do Oriente Próximo que influíram decisivamente no simbolismo cristão primitivo, onde o peixe se converte em um dos sinais de reconhecimento mais antigos da comunidade cristã. O acróstico grego ΙΧΘΥΣ (Ichthýs, por peixe), que decompõe as iniciais de Iēsoûs Khristós Theoû Hyiós Sōtḗr (Jesus Cristo Filho de Deus Salvador), transforma o humilde animal aquático em um criptograma teológico de primeira ordem, estabelecendo uma ponte inesperada entre a astrologia pagã e a simbologia cristã.

Peixes abriga atualmente o ponto vernal, isto é, a posição do Sol durante o equinócio de primavera, que se deslocou desde Áries devido à precessão dos equinócios. Esse dado astronômico deu nome à Era de Peixes, o período astrológico de aproximadamente dois milênios que coincide com o surgimento e a expansão do cristianismo, uma sincronicidade que diversos autores têm sublinhado ao observar a proeminência do peixe como símbolo da fé cristã durante precisamente a era astrológica do peixe.

O período atribuído a Peixes compreende de 19 de fevereiro a 20 de março, coincidindo com o final do inverno e o degelo que precede o equinócio de primavera no hemisfério norte, uma correspondência que a tradição astrológica projeta sobre o temperamento do signo, atribuindo-lhe qualidades de sensibilidade, intuição, empatia, imaginação e espiritualidade, assim como uma tendência à evasão, à melancolia e à dificuldade de estabelecer limites claros com o entorno, replicando a natureza do peixe que se move nas profundezas sem fronteiras definidas, guiado por correntes que não controla.

Como elementos associativos, podem-se listar: peixe (procedendo do latim piscis com evolução romance), piscina (dado no latim piscīna, apontando originalmente ao tanque onde se criavam peixes, deslocando-se rumo à acepção moderna de recinto para a natação), piscicultura (conjugando piscis e cultūra, por cultivo, designando a criação de peixes), piscívoro (formado por piscis e vorāre, por devorar, apontando ao animal que se alimenta de peixes) e Netuno (observável no latim Neptūnus, o deus do mar cujo domínio abriga as criaturas que a constelação representa). Pela correspondência germânica, identifica-se fish (no inglês, conservando a raiz indo-europeia *peisk- com o deslocamento consonantal característico).

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